29 agosto 2010

Vat_Retro

E não vai haver festa no silo do vinho: encontrei-me comigo atrás do balcão, com uma expectoração quinzenal arrastada pelas praias do zavial, cavalo preto e barril, consumada nas vistas de rias formosas no seu alvor - santa catarina! E a paragem na capital apenas efectuou o meu passado distante, agora remodelado no velho andar do bairro, nas esplanadas vazias com passageiros de memória, no meco e cabana do pescador. E a boa viagem seguiu depois por quiaios, vagos e são jacinto pela torreira, os hábitos parados e um jantar à chuva com o amigo libelinha - são joão baptista!; também a chegada à velha foz onde pensei terminar este percurso só serviu para continuar a ouvir uma torneira partida gotejando nesta estivalidade sufocante.
De nada me consagrou à excepção de dourar a alma e entumescer os pulmões...


ARTE POÉTICA

Mirar el río hecho de tiempo y agua
Y recordar que el tiempo es otro río,
Saber que nos perdemos como el río
Y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
Que sueña no soñar y que la muerte
Que teme nuestra carne es esa muerte
De cada noche, que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
De los días del hombre y de sus años,
Convertir el ultraje de los años
En una música, un rumor y un símbolo.

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
Un triste oro, tal es la poesia
Que es inmortal y pobre. La poesia
Vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
Nos mira desde el fondo de un espejo;
El arte debe ser como ese espejo
Que nos revela nuestra propia cara.

Cuentam que Ulises, harto de prodigios,
Lloró de amor al divisar su Itaca
Verde y humilde. El arte es esa Itaca
De verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
Que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
Y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges en El Hacedor -1960

3 comentários:

paulo disse...

isto é uma expulsão do paraíso? expulsas ou expulsam-te? que nem uma coisa nem outra. mas sobeja água por todos os lados, é um símbolo positivo, certo?

e eu que não conheço nada da poesia de Borges, mas é uma dos meus preferidos em castelhano...

abraços

anjo disse...

fiquei perdido no meio da beleza_______________________ assim



um abraço «««

João Roque disse...

João
continuas igual a ti próprio: os itinerários sempre cheios de "imagens", eléctrico como é hábito e a boa poesia que sentes de uma maneira muito intima.
Sabes que tenho saudades de subir a escada da tua casa em silêncio, para não ouvir o rezingão do segundo?
Hoje o Déjan falou-me nisto.
Abraço.