30 dezembro 2010

21 dezembro 2010

Sol_Clipse

A coincidência! (ler aqui)
Sufjan Stevens - Sister Winter (ao centro, a Lua; acima, a nebulosa Caranguejo)

A Good Yule for All of You!

18 dezembro 2010

White_Vanity

Já arrastava esta vontade há algum tempo e decidi ter o meu natal imaginado: partir para o extremo mais oriental do território numa longa recta de novas estradas, serras e rios, por entre neblinas e nevoeiros que me acompanharam até ao planalto; paragem para trazer ramos cheios de bagas de pilriteiro, passando por obras até avistar o azibo; depois virar pelas vinhas, izeda e descer pelas veredas cristalizadas do maçãs; almoço no vimioso com um sol escancarado e não sigo para alcanices; quando atravesso o angueira, o céu fecha-se em alvos véus e por toda a cobertura cresce um ténue granizo que ilumina a paisagem; chego a miranda num reviver da maioridade ali atingida há catorze anos, no promontório do douro, e redescubro-a nas placas das ruas perdidas em arqueologia linguística, homem e mulher o_postos como países, as raízes roubadas ao chão amontoadas à frente da catedral, ruínas do paço episcopal contendo toilettes, uma esplanada com jogos de água, a igreja do convento trino convertida em biblioteca, a celebração feita no que resta das muralhas conservadas que o rei mandou erguer nesta data, com foral e tudo... e à volta - branco, tudo branco!
Regresso ouvindo os programas da tarde por intermezzo e as histórias da rua do autor aqui_agora, decido assomar-me ao tâmega pelo marão (aboadela) em vez de pelo alvão (ribeira de pena). Rápido, letal, um sonho! Continuo até ao final com o charols do momento...
E hoje vou dançar - Porque sim!

Body_Talk

Um gelo! E a magra linha de vida congrega a rude comunidade no largo do arquitecto do norte (filho de músico e quase padre, feitor de pontes, igrejas e baluartes), antigo campo dos remédios que o arcebispo abriu para a cidade, para assistir ao concerto da temporada pela orquestra e coro escolares no templo da cura dedicado ao judeu evangelista - altares e cúpula renovados pela maçonaria num celeste dourado; a gloria de vivaldi, a vigésima primeira de mozart e o andamento inicial do novo mundo de dvorak; terminou no óbvio festival de Leroy Anderson. Com a circulação presa, descubro a trilogia da nórdica senhora que se segue! Qual gaga!




17 dezembro 2010

Hope

A partir de transplante de medula e a sorte de uma mutação genética - mas nada de generalizações ou descuidos!

16 dezembro 2010

Acontece_Nos

Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.


Está chegando o momento
De irmos pro altar
Nós dois
Mas antes da cerimônia
Devemos pensar em depois
Terminam nossas aventuras

Chega de tanta procura
Nenhum de nós deve ter
Mais alguma ilusão
Devemos trocar idéias
E mudarmos de idéias
Nós dois
E se assim procedermos
Seremos felizes depois
Nada mais nos interessa
Sejamos indiferentes
Só nós dois, apenas dois,
Eternamente

15 dezembro 2010

Video(Year)_(Radio)Stars

Selecção 2010- uma por cada mês deste ano a terminar... En_joy!
 
    Owen Pallett- Lewis take off his shirt                        !!! - Jamie, my intentions are bass!

                    MGMT - It's working                                    LCD Soundsystem - Home

                The Ting Tings - Hands                                    Kid Cudi f/Kayne West - Erase me

            Duck Sauce - Barbra Streisand                                Hot Chip - I feel better

        Arcade Fire (live) - Month of May                      The New Pornographers - Crash Years

 
                    El Guincho - Bombay                             Scissor Sisters - Invisible light

13 dezembro 2010

Fire in my Belly

Após alerta Da Literatura para a exposição e sua censura, aqui fica a obra completa... as cenas entre animais servem mesmo para chocar mentes adormecidas e faze-las "par(t)ir"!

(O espectáculo adequado para a quadra! Até porque há oito anos, estava lá!)

Chant de Guerre


 Mosaico em Pompeia representando a Batalha de Isso - 333a.C

Vinte e três dias depois da sua abertura, dou entrada na cidade, ao som da Marselhesa, depois de um belo cabrito em Leixões, ao lado do pavilhão do siza – e corremos a estrear os lavabos: «“Às Artes, Cidadãos!” insinua-se no Hall do museu com a exposição “Nas Margens da Arte”, comissariada por Gun Scharen. É toda uma história do activismo feito nas fronteiras da arte que se revela ao espectador. Livros, obras gráficas, panfletos das Guerrilha Girls e do colectivo Act Up, que combateram, respectivamente, a discriminação das mulheres na arte e na política, e a discriminação dos portadores de HIV na sociedade norte-americana. Cartazes e publicações do movimento contra-cultural holandês, que antecipou o Maio de 68.Uma antecâmara da vida política antes da ou com a arte.» (Re)Leio passagens do manifesto assinado por Rivera, Trotsky e Breton e rasgam-nos levemente ao centro o ticket para, depois de ler a introdução na parede atravessada, do lado esquerdo, e virarmos à direita - após confronto velado e catanas sul-americanas - sentarmos e vermos a curta do Senhor Manoel com este final (ver abaixo).

Seguimos pelo corredor que mostra ali e nas três salas seguintes os premiados do BES Revelação deste ano: de cada lado, quatro sequências de um exercício de fotografia em “matizes urbanas” de “gradações mi(li)mét(r)icas”; depois segue-se a sala escura com “projecção vídeo em plano duplo” onde se acompanha com “excertos de paisagem e vegetação”, o diálogo entre dois ornitólogos – levamos um exemplar A3 cada um, em letra minúscula; rapidamente saltamos a sala do canto com puffs para assistir à “colagem frame a frame” feita “às cegas, da mais antiga à mais recente”, sobre o quotidiano da artista; por último, a sala branca que é “uma peça áudio onde se ouvem excertos da Teoria das Cores de Goethe. «A partir daqui desenha-se um percurso pontuado pela História como construção política, com as suas narrativas e momentos tratados pela ambiguidade livre da arte.» Começa a escurecer e depois da apresentação dos trabalhos da Liga dos Trabalhadores Culturais Revolucionários e interrompidos pelas mensagens superiores como em tecto de casa-de-banho pública - feitas a queimado de isqueiro pelos Claire Fontaine, descemos os pisos rapidamente para adoptar um enxame de abelhas, entender onde estávamos então e onde estamos agora, para voltar a subir o ascensor e sair de peito arfado e alma transbordante. «“Às Artes, Cidadãos!” parece uma exposição adequada, útil para os tempos em que vivemos. Sobretudo porque permite aos espectadores imaginarem outras formas de viver e agir politicamente. Mas não se espere qualquer conforto ou cura para a ansiedade diante do futuro.»

Vislumbramos, a caminhar lentamente, a largueza dos jardins em bela harmonia de caminhos, recantos, cascatas sobrepostas até ao prado que contornamos directos à vedação aberta, sem touro. Deslizar dali para fora e convergimos para o cabo do mundo onde a chama eterna deflagra neste rectângulo assinalado pelo obelisco. Perdidos por angeiras e labruge, desembarcamos para snack com morzinho e pausa de sempre em frente aos estaleiros navais e encerramos o percurso contracurveado com planos aproximados ao convento no alto. Devolvida a companheira e enquanto preparo a sopa da semana, busco citações e vejo_ouço o Senhor António falar no câmara clara sobre as suas artes. Estas são as minhas Horas de Douro«As de cima são deste artigo de José Marmeleira, no Ípsilon de dezanove de Novembro e da brochura. O catálogo é publicado em dois volumes e o segundo conta com documentação relacionada com o programa paralelo à exposição, que decorre por mais três meses.» Boa Semana!

11 dezembro 2010

Trust_Fool

Atenção! Não recomendado a pessoas (muito) sensíveis e adeptos de relações esporádicas. Óptimo para adoradores de bondage, tatoos, sexo interracial e cenas gore! Reggae do melhor!



(Depois de passeio por páginas e amigos virtuais...fica outra.)

Fluvial_Canvas



«"Douro, Faina Fluvial" foi o primeiro filme realizado por um muito jovem Oliveira, que ainda não tinha 23 anos quando o filme estreou. A estreia na sala, nesse ano de 1931, forneceu, de resto, um episódio que se tornou lendário: intrigado com a pateada com que os espectadores em seu redor acolheram o final da projecção, um visitante estrangeiro (de seu nome Luigi Pirandello) teria perguntado, com genuíno pasmo, se os portugueses tinham por hábito aplaudir com os pés.
Pirandello seria apenas o primeiro de muitos estrangeiros surpreendidos com as pateadas nacionais aos filmes de Oliveira, e "Douro, Faina Fluvial" rapidamente reconhecido como um título fundamental entre o mais moderno cinema europeu da época, coisa que o tempo não cessou de confirmar. Inspirado pelos vários movimentos da "vanguarda" (os alemães, os russos) que frutificaram nos últimos anos do mudo e despertaram inúmeras vocações, "Douro" partia de um dos mais expandidos modelos dessa "vanguarda", a "sinfonia da cidade" (como o célebre filme de Ruttmann sobre Berlim), aplicado à cidade natal de Oliveira, o Porto e à sua zona ribeirinha. Plenamente a par do seu tempo, nesse entendimento do cinema como construção de um movimento abstrato gerado pela montagem e pela criação de ritmos e de uma musicalidade visual, é um filme embebido pela força do concreto que é a sua matéria, humana e urbana, e é por aí que ele se trancende e trancende a sua época, vivendo hoje com o mesmo vigor com que há 79 anos.
Pese toda a sua especificidade, é também o princípio de uma obra, por tudo o que o liga ao restante "corpus" oliveiriano. A versão levada à sala é a sonorizada com música de Luiz Freitas Branco (no DVD estarão as outras duas versões, a muda de 1931 - que aqui serve de parênteses -, e a que tem partitura de Emanuel Nunes, apresentada por Oliveira em 1994).»

Crítica de Luís Miguel Oliveira no Ípsilon de ontem - a propósito dos Painéis...

NoMore_MVA*

E assim começará a década... Esperando que o governo não caia e o país desmorone!

*Medo de Virar a Assembleia (roubado aos Comyxtura)

10 dezembro 2010

Thin_Line

Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Lembrando a carta e vendo o primeiro, farto de Leopoldinas, Popotas e Missões Sorriso... (Trailer Aqui)

(...)O problema de como ser bom nunca esteve tão presente: vivemos o primeiro tempo histórico da oficialização da bondade, em sucessivas cartas de direitos – e também, em simultâneo, o primeiro tempo de individualismo visceral, que curto-circuita os princípios da bondade. A situação política em que vivemos é essa: a de senhores que decretam a bondade obrigatória, sacrificial, dos outros para continuarem a viver no mais despudorado luxo. Onde dantes se exercia o mando sem disfarces agora exerce-se um mando que acrescenta à subjugação o requinte da culpa do subjugado: o protesto contra a miséria que nos cabe é uma injúria à miséria dos mais miseráveis do que nós. Esta é a grande e bem sucedida perversidade do feudalismo vigente: os espoliados devem resignar-se, sob pena de parecerem desprovidos de bondade para com os mais espoliados. A culpa encarquilha o espírito e tolhe a acção. Se toda a população de um país se recusasse a pagar impostos, o que poderia fazer o Governo? Prender todo um povo?(...)

Inês PedrosaExcerto da Crónica Feminina “Como ser bom”, publicada a 6 de Novembro na revista Única – Expresso

08 dezembro 2010

Dark_Ligths


Those Christmas lights, keep shining on

E pensar que poderia ter estado ali...

Trapped(Fuzzy)_Concept

«Le soir, comme vous ouvrez votre fenêtre sur la rue, je tourne vers moi l’envers du règlement. Sourires et moues, les uns et les autres inexorables, m’entrent par tous mes trous offerts, leur vigueur pénètre en moi et m’érige. Je vis parmi ces gouffres. Ils président à mes petites habitudes, qui sont, avec eux, toute ma famille et mes seuls amis.
Peut-être parmi les vingt s’est égaré quelque gars qui ne fit rien pour mériter la prison : un champion, un athlète. Mais si je l’ai cloué à mon mur, c’est qu’il avait selon moi, au coin de la bouche ou à l’angle des paupières, le signe sacré des monstres. La faille sur leur visage, ou dans leur geste fixé, m’indique qu’il n’est pas impossible qu’ils m’aiment, car ils ne m’aiment que s’ils sont des monstres - et l’on peut donc dire que c’est lui-même, cet égaré, qui a choisi d’être ici. Pour leur servir de cortège et de cour, j’ai cueilli çà et là, sur la couverture illustrée de quelques romans d’aventures, un jeune métis mexicain, un gaucho, un cavalier caucasien, et, dans les pages de ces romans que l’on se passe de main en main à la promenade, les dessins maladroits : des profils de macs et d’apaches avec un mégot qui fume, ou la silhouette d’un dur qui bande.

La nuit, je les aime et mon amour les anime. Le jour, je vaque à mes petits soins. Je suis la ménagère attentive à ce qu’une miette de pain ou un grain de cendre ne tombent sur le parquet. Mais la nuit ! La crainte du surveillant qui peut allumer tout à coup l’ampoule électrique et qui passe sa tête par le guichet découpé dans la porte, m’oblige à des précautions sordides afin que le froissement des draps ne signale mon plaisir ; mais mon geste, s’il perd en noblesse, à devenir secret augmente ma volupté. Je flâne. Sous le drap, ma main droite s’arrête pour caresser le visage absent, puis tout le corps du hors-la-loi que j’ai choisi pour mon bonheur de ce soir. La main gauche ferme les contours, puis arrange ses doigts en organe creux qui cherche à résister, enfin s’offre, s’ouvre, et un corps vigoureux, une armoire à glace sort du mur, s’avance, tombe sur moi, me broie sur cette paillasse tachée déjà par plus de cent détenus, tandis que je pense à ce bonheur où je m’abîme alors qu’existent Dieu et ses Anges. Personne ne peut dire si je sortirai d’ici, ni, si j’en sors, quand ce sera.»



Jean Genet, Notre-Dame-des-Fleurs (Em dia de imaculada concepção, no mês em que se celebra o seu centenário...)

07 dezembro 2010

Hang_Over

DE VER Y PALPAR
El iceberg sereno como un emperador
Sigue su destino
Obedece ciegamentè a las líneas de su mano.


SOMBRA
La sombra es un pedazo que se aleja
Camino de otras playas


En mi memoria un ruiseñor se queja
Ruiseñor de las batallas
Que canta sobre todas las balas


HASTA CUANDO SANGRARÁN LA VIDA
La misma luna herida
No tiene sino una ala
El corazón hizo su nido
En medio del vacío
Sin embargo
    Al borde del mundo florecen las encinas
    Y la Primavera viene sobre las golondrinas.
  
«Inversão, rendição, sacrificio, mudar. O dependurado representa o poder da quietude. A pressão do exterior pede sempre que nos desloquemos para o mundo exterior. Não fazer absolutamente nada é irracional e prejudicial para a nossa interacção com os outros. Podemos dizer que chegámos à quietude quanto deixamos de nos preocupar. Esta atitude não significa que tenhamos desistido da vida mas simplesmente que temos uma fé profunda e que aceitamos a vida tal como ela é. Mais do que qualquer outro arcano, o dependurado valoriza o nosso interior.»  
On TarotOnLineMary.BlogSpot 

06 dezembro 2010

Epistemic_Vague

Arranque molhado da manhã amistosa e disponível para taxas de ex-SCUTs, mini compras, bucha no maneta e energia aleatória. Deslizo pela via original até ao X entre freguesias onde aguardo o reencontro com as rotinas urbanas: jantar no chafariz, chá com loli em casa e no bai_rro com a de sempre (valha-nos para o ano, Santa Efigénia!). Duche frio no próximo polibã, buscar veículo junto ao renovado parque central, e acompanhar as celestiais criaturas: démeter acolhe-me para pequeno banquete animado e mostra o gabinete intercultural, conheço o filho do frank e nalini após segundo almoço junto ao prédio ruído entre _campos e alvalade, passo para a outra margem ladeado de metro e cadelas com clau e bisnas (a pena/arte e idiotia/finança de não ficar para o stock); finalmente desço com a boleia prometida, seguros para família feliz. Foi o espírito das luzes que deambulou pendurado pelas árvores das avenidas e beirais das praças, pela força verde a rebentar por debaixo dos prados, aguardando o degelo e a descarga das massas de água torrenciais.
E nem uma, nem duas, só a terceira noite permite acordar do sonho existencial para o confronto com a realidade e o tempo em vector radial de sobreposição de temas (antropologia da saúde, melomania para crianças, favelas cetóbrigas) que ajudam à corolis de mim...
E de ti... (Pssh! Silêncio!)

01 dezembro 2010

Fight_Back

Três de seguida (vistas aqui na casa dos 'morzinhos...)

Hoje já é o dia!

28 novembro 2010

Nicht_Schnell

Enquanto assisto à educação agrícola, ao documentário sobre aquecimento global e manchetes com assaltantes e bolsas de resistência tóxica, espirrando sobre o aquecedor a gás emprestado - agora a funcionar graças ao senhor borges que trocou gratuitamente a botija - decido o que vou fazer hoje: se apresentar os animais ou voltar ao branco das alturas...
Ontem foi uma limpeza nas vistas, depois das coincidências já descritas e das não referidas (toda uma semana incompleta de ressalvas por desgaste), logo na desperta cidade fria para feitura rápida das lides e seguimento de etapas humanas pela urbe invencível: passeio alegre pelos reconquistados pontais (o carneirinho, o mini-golfe e os cafés), accionamos nos pilotos, relembrando aventuras em idades pueris e núbeis; os pais clamam calor encostados ao sol, crescem saudades vazias e dolorosas...
Saímos pela da Luz, por melíflua música e anfitriamos a colega - antes de cearmos entre burgos e depois de souvenirs natalícios no boudoir-  perdemo-nos no trapézio labiríntico de alumínio, cristal e cimento. Adormeço na chorale, estremunho com o violino do anjo e estremeço a ouvir uma esforçada e intrépida orquestra no primeiro, no segundo... e no quarto andamento - mas aqui fica o terceiro deste senhor.

 Na gravação conduzida por celibidache, lá por esta senhora - acompanhado pelas melhores.
Tenho grandes ânsias e vergonha de tudo
Como uma hora que pára e pede pão
Como aquele que não pode dizer o que quer
Enterrado no fundo de sua raça
 (Imagem retirada do blog "The amazing trout"/Fragmento de "Ao ouvido do tempo" do senhor da foto d'acima) Entretanto passa a hora de almoço e eu não serrabulho...

27 novembro 2010

Ex_Adora

Chamado ao real pelo comentário no post_abaixo, passo a explicar: aviei as malas e fui directo ao barrocal, passando pelos pastos campinos em tempestuosa paisagem; mas o acelaramento provocado enchia-me as medidas do abraço que queria dar-te pois já estive na situação de partida e abandono. Por outro lado há o regresso às viagens da adolescência e atravessam-se latitudes num instante para interromper a preparação de um baptismo e reencontrar os amigos reconfortantes de sempre. Depois dos desabafos de uma orientação abafada de cristandade e aceite pelo peso da idade, dormimos cedo e acordamos interrompidos pelos gestos rotineiros da insulina cega e galopante, da entrada no cano para a chegada triste mas luminosa à família, das dádivas da vizinhança (goiabas, ovos e verduras frecas). O dog_walking matinal faz-nos sorrir e chorar o momento, apreciar os vales férteis (abacates, uvas-do-cabo, anonas) e retomar rotinas. Um sumo das laranjas com a notícia do papa acompanhado pelo companheiro da vida construída juntos, lá fora, agora num porto inglês onde futuros felizes e remotos selam alianças antigas.
Depois é a subida das terras de sangue pelo caldeirão que agora verdeja até ao seco planalto da plena harmonia e, já notando as ferraduras gastas, os planos alteram-se e o irmão salva a volta e a bicicleta. Contrariado, fico sem o levar, para a mudança de pneus mas as_segurando continuidade dos novos laços...

20 novembro 2010

Yunan_Lar

Na pausa do chuveiro da semana, saio para a volta nocturna e reparo no círculo lunar: daqui a oito horas estou a concretizar a minha identidade numa loja do cidadão do norte e a correr para abrir a alma da estrangeira de cá, grande, cheia, no seu abandono frágil da paternidade - o mesmo me aconteceu e sempre o reencontro, digo-te - de lá. Também há um equilíbrio entre os dois mundos, géneros, modos, vidas...Estamos aqui, Todos!

E amanhã trago-te de volta, meu Irmão!

15 novembro 2010

Lock_Stock

& two smoking barrels (by Guy Ritchie) Ontem, num bar perto de si...

Sponsored by Be_More (com alguns problemas técnicos...) Trailer for University Project Here! And the best song nominated is The Stooges- I Wanna...

13 novembro 2010

Celti_Berra

Adaptar as horas ao texto e apresentações do momento, incluindo dados, tabelas e gráficos para análises simplistas com estimativa baixa nas médias mas exarcebada na estima egoísta que por nós sentimos. Do ego_antropocentrismo doentio, da identidade plena que cega a alteridade, disfarçamos a triste amorfia com uma discussão sobre o discorrer do conhecimento teórico meta_científico contra a aprendizagem sempre assente em experiências e vidas. Um quarto de século delas são celebradas e premiadas na cumplicidade do reconhecimento magusteiro.
(No meio de tudo isto love calls e esqueci de ligar no dia respectivo: Parabéns Cláudia por sempre seres quem és e estares comigo, também aqui)
Entre as brincadeiras e carícias madrugadas fora, um modelo base de relatório para repetir e andar, acta por fazer, capas com documentos para anexar, guarda_chuvas trocados nas viagens corridas por aldeias molhadas e sombrias, com vizinhança a ajudar solenemente. Hoje faz-se o almoço dos cinco depois de inúteis reuniões matinais, oferta de verdes crisântemos bojudos e clemências de laranja forte, um manjar já frio de esporões e o bolo prometido após ensaios arrastados até à exaustão, tal como o animal pelas vias empedradas e fachadas vazias.
(Ouve-se um ensaio de voz e harmonia celta, com latidos a acompanhar...)

"A diferencia de los animales, que sólo matan para alimentarse o defenderse, el hombre mata también por codicia, por celos, por envidia, por apetito de poder, por fanatismo, prejudicio, racismo, estupidez o una inclinación irracional de su ser a destruir y hacer daño a los otros. Eso es el mal. Su origen es controvertido y sus manifestaciones en la vida privada y pública de sociedades y naciones son infinitas. Los creyentes presumen que nasció con el pecado original, aquella culpa y castigo con que se inicia la vida en el paraíso terrenal. Los no creyentes lo llaman la pulsión o instinto tanático, atracción por la muerte que se disputaria con el eros, el amor a la vida, el alma de los seres humanos. En todo caso, sea cual fuera su fuente, el mal siempre ha estado ahí, irredimible, indiferente al progreso material y científico, incansable en la civilización y en la barbárie, sembrando dolor, frustración, odio y muerte a lo largo de la historia."


Extracto do novo livro de Vargas Llosa "El Sueño del Celta", já à venda do outro lado da Ibéria. 
Publicado en El País Semanal a 24 de Octobre bajo el titulo "La Maldad". La imagen vino de El mundo (July 1, 2007) por C. Conesa en el museo de cera recreando el 2 de mayo by Francisco Goya. Tambièn la opinión de Fernando Savater.

05 novembro 2010

Thanks_Quake

Deixar o lugar vazio por uma semana tornando-me pertença de outros. Começamos pelo final da tempestade que nos dá o cheiro de inverno: saímos domingo bem cedo para sudeste em direcção às beiras interiores, ainda chuvosas e frias; marcamos o almoço com a que falta e após o ângulo superior direito entre auto-estradas, o sol brilha provando que a cova entre túneis é o conforto para o largo e raso arco_íris que atinge com todo o esplendor as cidades fartas. É às idanhas que dedicamos o tempo que agora corre lento mas ventoso: ao fundo da nova comemos bem e coloridos mas logo seguimos para o templo fusor de religiões na egitania que o noivo limpou e conservou; atravessamos o ponsul e regressamos após indisposição com gás. Ascendemos ao topo da mais portuguesa que agora gela, prometemos novo encontro noutras terras templárias e testamos aposentos - pão por todos os nossos deuses.
O dia dos santos ergue-se com a sua promessa de ida à horta (bica de azeite, queijo e borrachões) cumprida apenas na partida; assim, é a penha garcia (que percorremos entre tângeras, romãs, murta, bolotas, uvas, marmelos) e a salvaterra do extremo (cemitério dos avós, primos e dióspiros, cavalos em zarza e gin_cola de peñafiel) com paragem na senhora das azenhas, trilobites, ribeiros, barragens, termas e monfortinho onde deslizamos pelas cristas e planícies, penedos e cascatas, torres e ermidas, montes e vales. Ainda o agradecimento à proença velha e despedida na curva de são gens – todos os tons outonais foram convocados e pelo verde fora até à capital.
Devolvo a túnica aos tibetanos do salitre, bebé do marco no calhariz e somos rodeados de fotógrafos para pose no camões; ceia pelo mateo no albergue da bica também interrompida. Entre as suas margens, acordo no samouco, observando os recoletores de marisco; contemplo a adorada sobrinha adormecida (despir, limpar, pesar, alimentar) e, depois de marcado o reencontro de santa clara e jantar_buffet no caminho do mar ao norte, agradeço à ana y sus muchachos:







Hoje, sob a protecção do lar originário, escrevo e escuto com especial atenção, após as voltas de montemor, as rectas de pegões e do infantado. Amanhã, os restantes finados, aqui, comigo.

24 outubro 2010

Hawk´s_Blow

Começa a fechar-se o ciclo: há dois anos, a loucura da itinerância levou a que nos perdessemos por aqui, e muitas das voltas que aqui démos, fizeram com o que meu registo criminal passasse a ter a marca desta crise... Safar-me do horário real para pegar no bicho e seguir para a invicta com o casal das montanhas para ouvir as profecias do seu primo nas brumas; perco-me até às antas e freio a fundo na picaria para, directo como um falcão, assistir nas galerias da luz com seus dois pisos e bares (e loja destes senhores) ao melhor concerto da temporada. À saida, decido mostrar as outras de paris e pedintes agoiram-nos o destino; não passeamos pelos aliados e por isso o caminho é cortado depois do túnel na faria guimarães. São soprados três pipos e o bicho segue agora pelas mãos da companheira e noivo adormecido enquanto toda uma esquadra me aguarda na batalha para regressar ao bom pastor (tal como na igreja de Vila Real...). Tanta farda a observar intimida-me num duplo sentido enquanto o resto da cavalaria aguarda; é grande a coima, é grave a incorrência e já não vamos à praia. Sem documentos, a criatura é bem conduzida com um olho fechado e de volta à base seguimos incumprindo os papéis: almoço junto à antiga escola, na quinta dos sobreiros e percorro a aldeia nos seus caminhos, descubro o vinho novo, montamos as fotos e as conexões surgem aos poucos agora, depois de um caldo, pizza caseira e castanhas da época.


Se até ele conseguiu...

20 outubro 2010

Dog_Man

Quando destranco a porta do bunker blindado onde me escondo, recebe-me com o seu focinho em punho o meu outro habitante: pequeno, grisalho, com ar sábio, ansiando pelo pão na sua boca (ou ração, pouco importa) e uma festa de alegria por vê-la ali, só durante metade de um dia, na escuridão da hora a que chego. Aqueço a sopa onde flutuam lentilhas e um troço de gengibre por entre o puré de cenouras, despacho-me dos meus resíduos porque não tenho quem mos recolha (a não ser as etares de todos nós), pressiono o frasco transparente de tonalidade acastanhada a combinar, de onde sai o gel opaco e cristalino com que esfrego as mãos. Sorvo o caldo de uma vez só e deixo um pouco no fundo para que lamba com tempo, dois bocados de broa partilhados em pedaços, pego no gorro, caderno e saio. As escadas, silenciosamente, para encarar o carro emoldurado pelos três vidros da porta do prédio. Subimos, como sempre, mas desta vez a pausa é no renovado café, também wine_bar onde um melhor sistema de aquecimento nos faz sentar depois dos quebra_ventos entrecruzados. Agora espreguiça-se contra a cadeira, entre as minhas pernas enquanto espreita por debaixo da mesa. Peço-lhe que se deite quando ao moço faço outro, de café, não bica (Cumo?) Ela espera, ladra pelo prato ao lado e senta. Vejo os minutos no tiquet, escrevo, fumo e oiço a brasileirada melancólica agitada que soa. Na pausa, afago-lhe a cabeça, guardo o material e continuamos a passeata costumeira pela noitada que nasce, afastando-nos da conversação ruidosa de fundo, deambulando pelas lajes das bermas.

Enquanto leio, ouço e vejo...

15 outubro 2010

Pur_Pur Haze

Quando tudo o que era puro, escurece ao secar - para voltar a ser húmus e vida outra vez. E é de simples encrencas para marcações conjuntas que se desvelam segredos recentes de relações (esperadas) fortuitas.  Uma glândula segrega o espectro psicadélico que nos vai juntando em enleados no meu berço antecedidos por encontros não planejados em aniversário com cartão_improviso e bouquet de arame e aço.



Purple haze all in my brain
Lately things just don't seem the same
Actin' funny, but I don't know why
'Scuse me while I kiss the sky


Purple haze all around
Don't know if I'm comin' up or down
Am I happy or in misery?
Whatever it is, that girl put a spell on me


Help me help me
Oh no no... no


Yeah
Purple haze all in my eyes
Don't know if it's day or night
You've got me blowin, blowin my mind
Is it tomorrow or just the end of time?


No, help me aw yeah! oh no no oh help me...

12 outubro 2010

Ever_Onward

Ontem ouvi isto no regresso da itinerância. E aqui está:

A senhora juntou-se aos senhores e resultou este projecto para ajudar a salvar a vida costeira que foi buscar a inspiração a este pico num parque da califórnia. Fica também a homenagem ao dia do pan_americanismo no momento em que a dona deve estar a aprender a ensinar a mergulhar para deslumbrar e conservar.
Beijos, Estela. Para ti, o remix.

Sobre a situação actual deste mundo, o Pinguim deixa esta pérola de Desabafo!

08 outubro 2010

Phi_Eric II



O céu corre rápido sob as nuvens arrastadas pelo sião. A sina em linhas curvas há muito tempo que aqui não me trazia. Foi no retorno ao reino que largaram investimentos na outra margem ou na velha ilha e foram para angola ou de cabo_verde; deixam esposas, cães, piscinas, soalhos e tectos a cair. Partem optimistas pela manhã nebulosa, deixando para trás a sensação de que algo está para acontecer. Peço perdão e chego ao sentimento de família no sofá em L, nos jantares alentejanos e vegetarianos, nas camas práticas e preciosas, telefonemas pontuais, digestivos da estação, tempestades em movimento. Pelas montanhas de odemira e alfragide, pelo estuário em alcochete e recta de porto alto, pelas praias da amoreira e milfontes, aconchego o tempo que falta.
Pedra, papel, tesoura - safira com espelhos e cetim.


André Pássaro foi ontem na aula magna - também aqui estou em Arm_Chair!

04 outubro 2010

Phi_Eric I

Estamos aqui outra vez com duas noites que se estenderam pela madrugada e manhã: aquela que foi a despedida da cadela de sua dona pelas sobrepovoadas calles de gente, do bairro dos copos, em empedrado de saltos, o adubo próprio para consumo humano, as portas dos bares, de miradouros lotados, muitas voltas de cansaço para adormecer frente ao novo conceito de ferrador. Depois o regresso às novas colónias de velhos retornados, a leste do paraíso rápido para ir com motociclista de bigode e seu capacete pelos parques de estacionamento, torres belas, casas remodeladas de soalho e paredes de tortura (sede de Seara e PIDE) ao encontro do que nos torna fiéis – agora dono de bar no Marais com string kaki e uma t-shirt dizendo “We are all prostitutes”- festas privadas em restaurantes de esquina, outra vez o lodo no cais e a bandeira que se ergue no alto do parque.

Os três, pelas estradas inundadas de acidentes nos percursos que nos trazem pela humidade cresente ao pitoresco local onde fomos felizes.

30 setembro 2010

Un_Quiet


O filme de João Botelho estreia hoje, como anunciado há um ano atrás. (Não, não é o Garcia Bernal!)

Des_Folhada

É da sala_aquário donde vos escrevo e assisto ao embrenhamento diário do novo habitante com o seu habitat e no passeio em redor, tenho encontros profícuos com as personagens nocturnas do bairro, confrontando-me com as minhas_suas limitações - tão libertadoras vantagens.
Começamos por reler o trabalho dos últimos seis meses, páginas sem parar de biografias manipuladas por um referencial aberto e de moral flexível; vai à frente e volta atrás, faz e desfaz, monta e desmonta. E os candidatos, com os braços no teclado e as costas cansadas da vindima fechada em ramadas e latadas castradoras do horizonte, vêm já sem forças para chegar ao milho_rei.
Os ouriços amadurecem o casulo vegetal e enrijecem os picos para o magusto final; as beladonas florescem nos áridos muros em róseas corolas virginais pelo fôlego derradeiro deste sol que fina, aguardando a frutificação em perigosas bagas. As folhas são limpas pelo vento que esfria e agita os restos mortais da estação.



Depois do teste da oligofrenia ou fenilalanina, da negociação interrompida e da reformulação do método, tiro férias e decido que temos de seguir em auto_coordenação de vez: recolher mantimentos e limpar armas para os tempos que se avizinham.
E agora que tenho a Wall_Paper, de alças e boxers tribais justos, anoto o que falta e assito ao Mad_Man pela segunda vez como se fosse o Big_Love.

26 setembro 2010

Good_Moon

"A Lua, a caprichosa, olhou pela janela enquanto dormias no berço e disse: Gosto desta criança.
E desceu as suas escadas de nuvens e entrou sem ruído pela janela e numa ternura de mãe colocou no teu rosto as suas cores. Daí as tuas pupilas serem verdes e a tua face pálida. Foi ao olhares para a tua visita que os teus olhos se dilataram e pelo seu abraço que ficaste para sempre com vontade de chorar.
Entretanto a Lua enchia todo o teu quarto com uma atmosfera fosforescente, como um veneno luminoso e toda essa luz viva pensava e dizia: Sofrerás esternamente a influência do meu beijo. Serás bela à minha maneira. Amarás aquilo que eu amo e aquilo porque sou amada: a água, as nuvens, o silêncio e a noite; o mar imenso e verde: a água informe e multiforme; o lugar onde não estejas; o amante que não conheças; as flores exóticas, os perfumes que fazem delirar; os gatos que se espreguiçam  sobre os pianos e gemem como mulheres, com voz rouca e suave!
E serás amada pelos amantes, cortejada e rainha dos homens de olhos verdes, os quais abracei durante a noite; daqueles que amam o mar, o mar infindável, tumultuoso e verde, a água e o lugar onde não estão, a mulher que eles não conhecem, as flores sinistras que se parecem a turíbulos duma região desconhecida, os perfumes que perturbam a vontade, e os animais selvagens que são o símbolo da loucura.
E é por isso, maldita e adorada criança que eu estou agora deitado aos teus pés, procurando o reflexo da temerosa divindade, da fatídica madrinha de todos os lunáticos."



Do autor de cima, tal como ao lado: Poemas em Prosa - Tradução de João Linhares, Ed. Alma Azul

23 setembro 2010

Auguri

À mãe que cria, à vida que concebe, à mão que cuida, ao seio que alimenta...



O Primeiro Filho (Carta ao amigo Bernardo Pindela)
 

Entre tanta miséria e tantas coisas vis
          Deste vil grão de areia,
Ainda tenho o condão de me sentir feliz
          Com a ventura alheia.

À minha noite triste, à noite tormentosa,
          Onde busco a verdade,
Chegou com asas d'oiro a canção cor-de-rosa
          Da tua felicidade.

És pai, viste nascer um fragmento d'aurora
          Da tua alma, de ti...
Oh, momento divino em que o sorriso chora,
          E em que o pranto sorri!

Que ventura radiante! oh que ventura infinda!
          Olímpicos amores
Ter frutos em Abril com o vergel ainda
          Carregado de flores!

Deslumbramento!... ver num berço o teu futuro
          Sorrindo ao teu presente!...
Ter a mulher e a mãe: juntar o beijo puro
          Com o beijo inocente!...

Eu que vou, javali de flanco ensanguentado,
          Pelos rudes caminhos
Ajoelho quando escuto à beira dum valado
          Os murmúrios dos ninhos!

Em tudo que alvorece há um sorriso d'esperança,
          Candura imaculada!...
E quer seja na flor, quer seja na criança
          Sente-se a madrugada.

Quando, como um aroma, o hálito da infância
          Passa nos lábios meus
Vejo distintamente encurtar-se a distância
          Entre a minh'alma e Deus.

A mão para apontar o azul, mão cor-de-rosa
          Que aconselha e domina,
Será tanto mais forte e tanto mais bondosa
          Quanto mais pequenina.

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

20 setembro 2010

Dominis_Lex

E pelo falso alarme da chegada, a promessa de companhia adoptiva: a noite anterior foi como a semana – mal dormida – de rumba pela augusta polis; sem código, seguimos para a chave dourada num carregamento imperial, deixar o coche novo levar-nos ao del mar e a boémia da empregabilidade continua (até cuzco e sucre). Descer à risca, interrupção nos aliados, love calls e trocamos de sentido por uns dias.
O mano vai buscar-me e passeamos com o útero a rebentar do ground_zero em direcção à mesquita, depois picoas e belém com pastéis sentados nos direitos humanos. Enquanto a ginja espera na varanda, uma bissa apaixonada acolhe-me cedo com buddy_bear & crookers.

Hoje conheço o novo desafio que me aguarda: corro ébrio quiosques de refresco, também os umbrais do sacramento, missa entalhada em são roque, jardim suspenso de são pedro, azulejos vegetais das mercês, o largo de são mamede. Uma mão cheia de poesia e assisto ao segundo programa de curtas do festival colorido (com prévio cash flow canadiano) pelos fogos, saunas e casas-de-banho com flores.

P.S.: Entre o caminho da rodoviária, fui a fátima duas vezes.

16 setembro 2010

Scream

Vamos fugir daqui?
Não.
Então é melhor começarmos a fazer qualquer coisa.
Objectivo 2015, Mensagem 203

14 setembro 2010

Melting_Point

Toda a viagem para, ao sul, seguir o curso das vidas: há anos que não celebrava na vila_fronteira, as festas da autarquia; e foi bom reencontrar os amigos de infância, em particular os que cresceram após a mesma e destes cruzares sucessivos de experiências, mantiveram e aumentaram o encanto e a paixão. Obrigado Johnny, à moura do castelo encantado, ao bailarino, executante inspirado, personagem de renome e à família feliz - o sorriso, a birra, curiosidade da eterna descoberta, arte alimentada ao peito, homenagem cruzada entre gerações e culturas...

12 setembro 2010

(Closed) Brief_Case



Cassiopeia: por entre triângulos de pano dispostos em toldos baixos, vislumbro o firmamento deitado no ultimo andar de um prédio_vizinho, ao lado do monte agudo com clau, fernando (também a dephiné) e aladan regressado para actuação com o seu trio alemão. Conhecemo-nos por outro frank há treze anos e a vida volta a fechar o círculo. Depois de tournée por mouraria e miradouro, preparamos a noite fumando, falando, dançando... O bisnau não quer apanhar taxi e temos de ir buscá-lo.
Orion: a linha de luzes da margem sul ondula no centro dos vidros_molduras que alargam o estuário à beira lux. Chegámos após entrada pelos becos do belo e do surra e descida por santa apolónia para ver o salão de corte transformado em sala de concertos. Cá fora, o céu e o rio negros, pontilhados de brilhos trémulos, cobrem a mesa de fogo onde apago cigarros. Depois de um breve jacto, a ida à roulotte e novo passeio pela velha cidade das vidas passadas.
Lira: sob os vasos_jarrões e o beiral da entrada da arte antiga, cantamos e rimos depois das enchentes nos lugares de sempre para aterrar debaixo da ponte na pequena península de cristal com o som dos jovens finalistas; one draw e depois dos pés no cais, levamos o bisnau ao barco do sodré. Bem instalado, adormeço para ser acordado pela bela, a tabuada e os ritmos. Tomo café e na rua do antónio martins, deixo o quim para as próximas batalhas.