30 setembro 2010

Un_Quiet


O filme de João Botelho estreia hoje, como anunciado há um ano atrás. (Não, não é o Garcia Bernal!)

Des_Folhada

É da sala_aquário donde vos escrevo e assisto ao embrenhamento diário do novo habitante com o seu habitat e no passeio em redor, tenho encontros profícuos com as personagens nocturnas do bairro, confrontando-me com as minhas_suas limitações - tão libertadoras vantagens.
Começamos por reler o trabalho dos últimos seis meses, páginas sem parar de biografias manipuladas por um referencial aberto e de moral flexível; vai à frente e volta atrás, faz e desfaz, monta e desmonta. E os candidatos, com os braços no teclado e as costas cansadas da vindima fechada em ramadas e latadas castradoras do horizonte, vêm já sem forças para chegar ao milho_rei.
Os ouriços amadurecem o casulo vegetal e enrijecem os picos para o magusto final; as beladonas florescem nos áridos muros em róseas corolas virginais pelo fôlego derradeiro deste sol que fina, aguardando a frutificação em perigosas bagas. As folhas são limpas pelo vento que esfria e agita os restos mortais da estação.



Depois do teste da oligofrenia ou fenilalanina, da negociação interrompida e da reformulação do método, tiro férias e decido que temos de seguir em auto_coordenação de vez: recolher mantimentos e limpar armas para os tempos que se avizinham.
E agora que tenho a Wall_Paper, de alças e boxers tribais justos, anoto o que falta e assito ao Mad_Man pela segunda vez como se fosse o Big_Love.

26 setembro 2010

Good_Moon

"A Lua, a caprichosa, olhou pela janela enquanto dormias no berço e disse: Gosto desta criança.
E desceu as suas escadas de nuvens e entrou sem ruído pela janela e numa ternura de mãe colocou no teu rosto as suas cores. Daí as tuas pupilas serem verdes e a tua face pálida. Foi ao olhares para a tua visita que os teus olhos se dilataram e pelo seu abraço que ficaste para sempre com vontade de chorar.
Entretanto a Lua enchia todo o teu quarto com uma atmosfera fosforescente, como um veneno luminoso e toda essa luz viva pensava e dizia: Sofrerás esternamente a influência do meu beijo. Serás bela à minha maneira. Amarás aquilo que eu amo e aquilo porque sou amada: a água, as nuvens, o silêncio e a noite; o mar imenso e verde: a água informe e multiforme; o lugar onde não estejas; o amante que não conheças; as flores exóticas, os perfumes que fazem delirar; os gatos que se espreguiçam  sobre os pianos e gemem como mulheres, com voz rouca e suave!
E serás amada pelos amantes, cortejada e rainha dos homens de olhos verdes, os quais abracei durante a noite; daqueles que amam o mar, o mar infindável, tumultuoso e verde, a água e o lugar onde não estão, a mulher que eles não conhecem, as flores sinistras que se parecem a turíbulos duma região desconhecida, os perfumes que perturbam a vontade, e os animais selvagens que são o símbolo da loucura.
E é por isso, maldita e adorada criança que eu estou agora deitado aos teus pés, procurando o reflexo da temerosa divindade, da fatídica madrinha de todos os lunáticos."



Do autor de cima, tal como ao lado: Poemas em Prosa - Tradução de João Linhares, Ed. Alma Azul

23 setembro 2010

Auguri

À mãe que cria, à vida que concebe, à mão que cuida, ao seio que alimenta...



O Primeiro Filho (Carta ao amigo Bernardo Pindela)
 

Entre tanta miséria e tantas coisas vis
          Deste vil grão de areia,
Ainda tenho o condão de me sentir feliz
          Com a ventura alheia.

À minha noite triste, à noite tormentosa,
          Onde busco a verdade,
Chegou com asas d'oiro a canção cor-de-rosa
          Da tua felicidade.

És pai, viste nascer um fragmento d'aurora
          Da tua alma, de ti...
Oh, momento divino em que o sorriso chora,
          E em que o pranto sorri!

Que ventura radiante! oh que ventura infinda!
          Olímpicos amores
Ter frutos em Abril com o vergel ainda
          Carregado de flores!

Deslumbramento!... ver num berço o teu futuro
          Sorrindo ao teu presente!...
Ter a mulher e a mãe: juntar o beijo puro
          Com o beijo inocente!...

Eu que vou, javali de flanco ensanguentado,
          Pelos rudes caminhos
Ajoelho quando escuto à beira dum valado
          Os murmúrios dos ninhos!

Em tudo que alvorece há um sorriso d'esperança,
          Candura imaculada!...
E quer seja na flor, quer seja na criança
          Sente-se a madrugada.

Quando, como um aroma, o hálito da infância
          Passa nos lábios meus
Vejo distintamente encurtar-se a distância
          Entre a minh'alma e Deus.

A mão para apontar o azul, mão cor-de-rosa
          Que aconselha e domina,
Será tanto mais forte e tanto mais bondosa
          Quanto mais pequenina.

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

20 setembro 2010

Dominis_Lex

E pelo falso alarme da chegada, a promessa de companhia adoptiva: a noite anterior foi como a semana – mal dormida – de rumba pela augusta polis; sem código, seguimos para a chave dourada num carregamento imperial, deixar o coche novo levar-nos ao del mar e a boémia da empregabilidade continua (até cuzco e sucre). Descer à risca, interrupção nos aliados, love calls e trocamos de sentido por uns dias.
O mano vai buscar-me e passeamos com o útero a rebentar do ground_zero em direcção à mesquita, depois picoas e belém com pastéis sentados nos direitos humanos. Enquanto a ginja espera na varanda, uma bissa apaixonada acolhe-me cedo com buddy_bear & crookers.

Hoje conheço o novo desafio que me aguarda: corro ébrio quiosques de refresco, também os umbrais do sacramento, missa entalhada em são roque, jardim suspenso de são pedro, azulejos vegetais das mercês, o largo de são mamede. Uma mão cheia de poesia e assisto ao segundo programa de curtas do festival colorido (com prévio cash flow canadiano) pelos fogos, saunas e casas-de-banho com flores.

P.S.: Entre o caminho da rodoviária, fui a fátima duas vezes.

16 setembro 2010

Scream

Vamos fugir daqui?
Não.
Então é melhor começarmos a fazer qualquer coisa.
Objectivo 2015, Mensagem 203

14 setembro 2010

Melting_Point

Toda a viagem para, ao sul, seguir o curso das vidas: há anos que não celebrava na vila_fronteira, as festas da autarquia; e foi bom reencontrar os amigos de infância, em particular os que cresceram após a mesma e destes cruzares sucessivos de experiências, mantiveram e aumentaram o encanto e a paixão. Obrigado Johnny, à moura do castelo encantado, ao bailarino, executante inspirado, personagem de renome e à família feliz - o sorriso, a birra, curiosidade da eterna descoberta, arte alimentada ao peito, homenagem cruzada entre gerações e culturas...

12 setembro 2010

(Closed) Brief_Case



Cassiopeia: por entre triângulos de pano dispostos em toldos baixos, vislumbro o firmamento deitado no ultimo andar de um prédio_vizinho, ao lado do monte agudo com clau, fernando (também a dephiné) e aladan regressado para actuação com o seu trio alemão. Conhecemo-nos por outro frank há treze anos e a vida volta a fechar o círculo. Depois de tournée por mouraria e miradouro, preparamos a noite fumando, falando, dançando... O bisnau não quer apanhar taxi e temos de ir buscá-lo.
Orion: a linha de luzes da margem sul ondula no centro dos vidros_molduras que alargam o estuário à beira lux. Chegámos após entrada pelos becos do belo e do surra e descida por santa apolónia para ver o salão de corte transformado em sala de concertos. Cá fora, o céu e o rio negros, pontilhados de brilhos trémulos, cobrem a mesa de fogo onde apago cigarros. Depois de um breve jacto, a ida à roulotte e novo passeio pela velha cidade das vidas passadas.
Lira: sob os vasos_jarrões e o beiral da entrada da arte antiga, cantamos e rimos depois das enchentes nos lugares de sempre para aterrar debaixo da ponte na pequena península de cristal com o som dos jovens finalistas; one draw e depois dos pés no cais, levamos o bisnau ao barco do sodré. Bem instalado, adormeço para ser acordado pela bela, a tabuada e os ritmos. Tomo café e na rua do antónio martins, deixo o quim para as próximas batalhas.

10 setembro 2010

Tran_Scape

Continuando na sugestão de programas, desta vez abro a casa a quem quiser por cá vir (mesmo se por cá não estiver): são os encontros visuais desta cidade que na sua vigésima edição dedicam-se à revolução da arte fotográfica reflexa da mutação do horizonte que entre séculos_milénios a inspira. E é já daqui a oito dias com o seu Pequeno Tratado da Paisagem que se inaugura na sala do recibo de tibães entre catorze outros espaços.
Mesmo sem marcação...



"T.3.01" 2001, Jean-Marc Bustamante,
Photographie en couleurs, 240 x 160 cm
Courtesy Galerie Thaddaeus Ropac, Paris / Salzbourg



Descoberto aqui onde, na selecção musical do autor, está uma faixa escondida da mariza misturada com os acordes da (mui famosa) canção verde deste compositor.

08 setembro 2010

Pride_Movies

E agora um espaço para publicidade (talvez esteja por aí, num hospital à beira da água...). Do décimo quarto, duas longas e uma curta em competição... de tod@s os géneros! Apareçam na Avenida!

BoY - Auraeus Solito - Filipinas


The OWLs - Cheryl Dunye - EUA


Paco - Jorge Roelas - Espanha

05 setembro 2010

Intimacy_Strings

Foi na curiosidade do relato do colega que vai casar sobre a sua pátria vímara que decidi regressar pela via que sai para fafe: subir e descer atães, fazer a rota dos curtumes, carreira e paçô vieira. Antes do mesão frio, trepar à rocha ígnea e precipitar-me dos seus abismos, percorrer os estreitos musgosos entre penedos e penhascos vertiginais plenos de robles e ciprestes (contra quem houve empate) exaltados. O fim do processo é passado na relva fresca ao anoitecer depois dos dois patamares de japoneiras_àrvores a circundar os chafarizes pouco iluminados nas linhas firmes dos novos palcos que ladeiam o antigo palácio: fico apenas no divertimento da primeira parte, deixo as madeiras silenciosas e cinco peças em estilo popular com a fina_flor da terra. Ainda chego a tempo da anfa perdida e à antiga capital (nesse momento) - todos os amigos do frank em veneza, a démeter comemora após la valetta, voltar para o nascimento da menina...


Music and words by Herman Hupfeld