06 abril 2009

Da_Hospitalidade

Andamos nus, apenas revestidos
Da música inocente dos sentidos.
Como nuvens ou pássaros passamos
Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos.

No entanto, em nós, o canto é quase mudo.
Nada pedimos. Recusamos tudo.
Nunca para vingar as próprias dores
Tiramos sangue ao mundo ou vida às flores.

E a noite chega! Ao longe, morre o dia...
A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia...
E há mãos que vêm poisar em nossos ombros
E somos o silêncio dos escombros.

Ó meus irmãos! em todos os países,
Rezai pelos amigos infelizes!

Pedro Homem de Mello, in "Os Amigos Infelizes"
Ao Catatos e a todos o que o lembram (como seu último desejo, nesta laranja mecânica, vou estar 24h Party People - um ano após a festança!)

4 comentários:

pinguim disse...

Lindo poema num original post de homenagem ao "nosso" Catatau, como eu lhe chamava no comentário que então te deixei.
Abraço grande e triste.

Ophiuchus disse...

É nosso, é mesmo nosso. Para_Sempre...

Paulo disse...

não conhecia, aliás conheço muito pouco deste autor. mas aposto que o Catatau adorará esta "música inocente dos sentidos", rir-se-á de nós, do nosso "silêncio dos escombros".

abraço apertado, gajo-24h-party-people!

Paulo disse...

Não conheci o Catatau, mas penso que ele estará contente com esta e as outras homenagens que lhe têm sido feitas (@Paulo e @Pinguim).