31 julho 2008

Um_Trinta & Um

Depois de pouco sono, encontrar com os monitores da praia_campo para as crianças da freguesia de benfica, ir buscar as “nossas” ao bairro e seguir para carcavelos a abarrotar. Aos gritos de ordem, marchas animadas seguem pelo túnel, ecoando musiquinhas bem treinadas, ocupam a sua área com sombrinhas, roupa e toalhas, são barradas de protector e esperam em jogos na areia ou ao sol pelo banho. Meia ciranda na entrada do mar onde, por grupo e em alguma segurança numa bandeira amarela, os miúdos entram e mergulham rapidamente, regressando então ao seu espaço demarcado para secar e merendar.

A segunda vez já é mais caótica mas mais divertida; repetem o processo juntos, à molhada, num maior prolongamento por se enrolarem nas ondas. Dali para o parque das nações para almoço em paredes_meias com o pavilhão do conhecimento, pequenas fugas para exploração a pares do passeio de ulisses e, entre zangas, amuos e birras, organizamo-nos para entrar na exposição “Que Nojo!” – agora sim, têm muito para explorar em duas horas – depois do corpo, as precoces leis da física. De regresso à boavista, uma reunião com os mais velhos para delinear os últimos pormenores sobre as actividades lúdico-desportivas e estadia durante o acantonamento na praia azul, no próximo fim_início de semana.

Pessoas contactam, chegam, voltam, talvez pelas férias! A ampa está cá e também se chateia com a mãe: falo com o marido que regressa à bretanha, que ela diz ter dois amantes nas malvinas, um espanhol e outro brasileiro; a amiga também está deprimida por falta de sexo e paixões platónicas, o bravo sanduliak estará sempre disponível a dar-lhe o seu amor; o mano racha a cabeça na água, interrompe a recuperação em belmonte e goza com a irmã do cunhado; as miúdas estão óptimas e o giestas presente. Jantamos no chafariz da porcalhota e pela manhã damos um giro no bairro.
Já temos net no espaço: agora está totalmente operacional.

Umas nuvenzinhas ensombram e abafam... (...e o presidente lembra inconstitucionalidades nos açores?!)

30 julho 2008

Count_Down 4...

(não era para ser tão cedo, mas não aguentei com esta descoberta do quarto álbum)

Unison
One hand allows the other
So much and me
Born stubborn me
Will always be
Before you count
One two three
I will have grown my own private branch
Of this tree
You gardener
You discipliner
Domestically
I can obey all of your rules
And still be, be
I never thought I would compromise
I never thought I would compromise
I never thought I would compromise
Let's unite tonight
We shouldn't fight
Embrace you tight
Let's unite tonight
I thrive best hermit style
With a beard and a pipe
And a parrot on each side
But now I can't do this without you
I never thought I would compromise
I never thought I would compromise
I never thought I would compromise
Let's unite tonight
We shouldn't fight
Embrace you tight
Let's unite tonight
One hand allows the other
So much and me
Let's unite tonight
We shouldn't fight
Embrace you tight
Let's unite tonight
Let's unite tonight
We shouldn't fight
Embrace you tight
Let'sOoohhhh ooohh
Unison
Unison
Unison
(Live in Royal Opera House London)

28 julho 2008

As Linhas de Oz II

"Eu fiz-me escritor por causa da pobreza, da solidão e dos gelados. Era filho único de uma família da classe média muito baixa; na verdade, de uma família muito pobre de Jerusalém. O meu pai era biblotecário e a minha mãe, de vez em quando, dava aulas particulares de História e Literatura. Vivíamos num apartamento diminuto que se parecia com o interior de um submarino, cheio de livros em muitas línguas e pouco mais. Os meus pais encontravam-se com os amigos nos cafés. E levavam-me com eles porque era filho único e não tinham ninguém com quem me deixar em casa. Diziam-me que tinham de conversar com os amigos e que eu devia portar-me bem e, se o fizesse, no final haveria um gelado para mim. Bem, naquele tempo, o gelado em Jerusalém era mais raro do que a paz no Médio Oriente hoje em dia. Era um boato, uma lenda: só alguns felizardos podiam desfrutar dele.

Eu morria pelo gelado, mas os meus pais costumavam demorar-se a conversar com os amigos durante sete dias e sete noites sem parar, ou, pelo menos, era o que me parecia. E tinha que fazer alguma coisa para não gritar nem ficar maluco. Assim, sentava-me ali e observava o movimento do café como um pequeno detective: gente a entrar e a sair... Como um pequeno Sherlock Holmes, reparava nas roupas, nas caras, nos gestos, estudava os sapatos, contemplava os bolsos e costumava passar o tempo a inventar pequenas histórias sobre aquela gente. Quem vem, de onde vem, qual a relação exacta entre aquelas duas mulheres e o homem da mesa do canto; as duas mulheres fumam, o homem não; uma parece muito amargurada, o homem quase não fala; uma fala a maior parte do tempo, a outra é bastante silenciosa. Tinha de inventar uma história. Algo assim: um jovem de aspecto temível, alto, estranho, sentado perto da porta, com um jornal em frente, sem o ler. Olha em direcção à porta, espera. Uma, duas horas. Bem, pode não estar à espera de um gelado, está à espera de alguém. E eu inventava quem e porquê. E assim aprendi de alguma forma a morigerar a minha solidão, olhando para as pessoas, advinhando, inventando, às vezes escutando ao acaso fragmentos de conversas e unindo-os, como um homem da Stasi. Pequenos pormenores de informação para criar, por vezes, um historial incriminatório. Devo confessar que ainda hoje faço o mesmo quando tenho de “matar o tempo”, por assim dizer, num aeroporto, sentado na sala de espera do dentista ou de pé numa fila. Em vez de ler jornais ou coçar a cabeça, fantasio. É claro que algumas das minhas fantasias actuais não são tão inocentes como as minhas fantasias infantis dos dias do gelado. Mas ainda fantasio. É um passatempo útil, não só para um romancista como para qualquer um de nós. Acontecem tantas coisas em cada esquina, na fila de cada paragem de autocarro, em cada sala de espera de uma clínica, em cada café... Na realidade, muitos seres humanos atravessam o nosso campo de visão todos os dias e na maior parte das vezes não suscitam o nosso interesse: nem sequer reparamos neles, vemos silhuetas em vez de gente real. Por issso, se tivermos o costume de observar estranhos, com um pouco de sorte acaba-se por escrever histórias ao fantasiar sobre o que as pessoas fazem entre si ou sobre a relação que existe entre elas. Em todo o caso, sempre se pode passar um bom bocado e conseguir um gelado no fim: não é uma perda de tempo."

In “How to Cure a Fanatic” – Amos Oz 2004

Count_Down 5...

Mouth's Cradle

There is yet another one
That follows me
Where ever I go
And supports me
This tooth is warmth-like
And these teeth are a ladder up to his mouth
These teeth are a ladder that I walk
That you can walk too if you want
If you want up to the mouth
The mouth's cradle
Up to the mouth's cradle
He always has a hope for me
Always sees me when nothing else
And everyone have left
That ghost is brighter than anyone
And fulfils me with hope

And you can use these teeth as a ladder
Up to the mouth's cradle, the mouth's cradle
And you can follow these notes i'm singing
Up to the mouth's cradle, the mouth's cradle
The simplicity of the ghost-like beast
The purity of what it wants and where it goes

Always love, always loves you, always loves you
Infrared love

And you can use these teeth as a ladder
Up to the mouth's cradle, the mouth's cradle
And you can use these teeth follow my voice
Tooth by tooth
Up to the mouth's cradle, the mouth's cradle

I need a shelter to build an altar away
From all osamas and bushes


27 julho 2008

Express_Mail

Ainda fiz a surpresa ao ricki catita mas não consegui voltar para o seu aniversário, pois fiquei no da loli em jantar volante na monkas e levar limas para mojitos (ah, explusão geral de oxiúros). Isto depois de as comprar na bica e ver a bebé da sara – a Ana – mas antes de regressar de metro que bloqueia em carnide e a linha ser interrompida, apanhar táxi para cemitério e paulinha, para buscar viatura que permitiu ou permitirá toda esta mobilidade.

Expresso às oito em sete rios, dormitar até ao algarve e ser acolhido temporariamente por toda a família feliz em restaurante do chinês. Voltar para a serra natal e a casa da avó para atum grelhado em roda da cozinha com luz. Inter_lúcido. Muesli matinal, praia de santo antónio repleta de gente e algas verde-alface, entregar computador e conversa de pátio na altura com chefe do mano, gaspacho no alto à nossa espera.

A mãe e o mano dão banho ao cão, a gata bebe água no balde. Aguardo que o café aqueça na cama enquanto olho na mobília espelhada o meu reflexo de calções de banho brancos, a t-shirt e o casaco padrão de gales pendurados na porta do roupeiro, as cuecas HM com cassetes, calções leves e calças azuis desbotadas de um década sobre a cadeira, computador e revistas espalhados, a cortina branca ondulando no quarto morno; vou levar cabides e buscar a roupa atravessando as arcadas do palácio e enquanto emparelho meias e oiço barry adamson...


Wish me luck para e terceira entrevista deste mês, com a frase da mae west no filme “I´m no Angel” de 1933, que faz a contracapa da cubo oferecida pelo expresso: “Quando sou boa, sou boa, mas quando sou má, sou melhor”

Re_Flexões

Ando numa de hexis tou alêtheuein (disposição para perseguir a verdade), através de uma obra de Thomas de Koninck, professor de filosofia que se debruça sobre as questões da ética, educação e conhecimento: A nova ignorância e o problema da cultura. E tem imensas citações de outros autores que aqui deixo para reflectirem:

“Cada cultura representa um considerável capital de riqueza humana. Cada povo possui um capital de crença e de instituições que representa, no conjunto da humanidade, uma experiência insubstituível. Quando a humanidade se sente ameaçada pela uniformização e pela monotonia, volta a tomar consciência da importância dos valores diferenciais. Devíamos renunciar completamente a tentar compreender o que é o homem se não reconhecermos que centenas e milhares de povos inventaram formas originais e diferentes de ser humano. Cada uma delas oferece-nos uma experiência da condição humana diferente da nossa. Se não tentarmos compreeendê-la, não nos podemos compreender a nós próprios.”
Claude Levi-Strauss Le Devoir 1998

“A informação só nos torna mais sábios se nos aproximar dos homens. Ora, com a possibilidade de aceder, à distância, a todos os documentos que necessitamos, aumenta o risco de desumanização e ignorância. Actualmente, a chave da cultura não reside na experiência e no saber, mas na capacidade de procurar informação através de múltiplos canais e redes oferecidos pela internet. Podemos ignorar o mundo, não saber em que universo social, económico e político vivemos, e dispôr de toda a informação possível. A comunicação deixa assim de ser uma forma de comunhão. Como não lamentar o fim da comunicação real, directa, de pessoa a pessoa?”
José Saramago A quoi sert la communication? 1998

“O maior perigo da prosperidade devida à máquina decorre do facto de vivermos pela primeira vez numa época em que o conforto material é acessível a quase toda a gente. Por isso, se o procurarmos não como um acréscimo às satisfações afectivas, mas para substituí-las, corremos o risco de nos tornarmos escravos desse conforto; precisamos de um progresso tecnológico sempre cada vez maior para encobrir a nossa insatisfação afectiva e o nosso mal-estar.”
Bruno Bettelheim Le coeur conscient 1972


E para terminar mais uma pérola sartriana: “É este o fundamento do júbilo do amor, quando existe: sentirmo-nos justificados de existir.”

26 julho 2008

As Coisas IV


Projecção de cabeça de rinoceronte em cortiça: Foi encontrada no recreio do espaço de ateliers de tempos livres onde trabalhei três anos (à feira da ladra numa escola secular), pelo PD que ma ofereceu - um miúdo espertíssimo e muito criativo que fazia parte do grupo do meu colega hugo. Com este asceta humanista, magro e de barbas, coleccionador de instrumentos de percussão árabe, aprendi o poder da firmeza e do carinho masculino na formação das crianças; juntamente com a lu, ensinaram-me a organizar actividades e a cumprir a justiça infantil preto no branco, sendo a minha primeira equipa de trabalho remunerado.
Esta protecção de tronco arbóreo surge sempre exposta entre os meus objectos de forma a questionar a percepção dos visitantes.