27 julho 2008

Re_Flexões

Ando numa de hexis tou alêtheuein (disposição para perseguir a verdade), através de uma obra de Thomas de Koninck, professor de filosofia que se debruça sobre as questões da ética, educação e conhecimento: A nova ignorância e o problema da cultura. E tem imensas citações de outros autores que aqui deixo para reflectirem:

“Cada cultura representa um considerável capital de riqueza humana. Cada povo possui um capital de crença e de instituições que representa, no conjunto da humanidade, uma experiência insubstituível. Quando a humanidade se sente ameaçada pela uniformização e pela monotonia, volta a tomar consciência da importância dos valores diferenciais. Devíamos renunciar completamente a tentar compreender o que é o homem se não reconhecermos que centenas e milhares de povos inventaram formas originais e diferentes de ser humano. Cada uma delas oferece-nos uma experiência da condição humana diferente da nossa. Se não tentarmos compreeendê-la, não nos podemos compreender a nós próprios.”
Claude Levi-Strauss Le Devoir 1998

“A informação só nos torna mais sábios se nos aproximar dos homens. Ora, com a possibilidade de aceder, à distância, a todos os documentos que necessitamos, aumenta o risco de desumanização e ignorância. Actualmente, a chave da cultura não reside na experiência e no saber, mas na capacidade de procurar informação através de múltiplos canais e redes oferecidos pela internet. Podemos ignorar o mundo, não saber em que universo social, económico e político vivemos, e dispôr de toda a informação possível. A comunicação deixa assim de ser uma forma de comunhão. Como não lamentar o fim da comunicação real, directa, de pessoa a pessoa?”
José Saramago A quoi sert la communication? 1998

“O maior perigo da prosperidade devida à máquina decorre do facto de vivermos pela primeira vez numa época em que o conforto material é acessível a quase toda a gente. Por isso, se o procurarmos não como um acréscimo às satisfações afectivas, mas para substituí-las, corremos o risco de nos tornarmos escravos desse conforto; precisamos de um progresso tecnológico sempre cada vez maior para encobrir a nossa insatisfação afectiva e o nosso mal-estar.”
Bruno Bettelheim Le coeur conscient 1972


E para terminar mais uma pérola sartriana: “É este o fundamento do júbilo do amor, quando existe: sentirmo-nos justificados de existir.”

5 comentários:

pinguim disse...

Caro amigo
ando mecambúzio e feito estúpido...e confesso não ter "consistência" hoje para perceber este teu texto, pois quando leio algo, preciso de ler mesmo.
Assim apenas te envio um abraço de amizade.

Catatau disse...

Tudo a favor das citações (muito bem escolhidas), excepto a do Saramago, que lhe tenho um pó que só Deus sabe. Dasssse lá para a tartaruga empertigada!...

E quem disse a última frase é que a sabe toda. E tem amor a rodos: para dar, vender e ser de todos. :)

Ophiuchus disse...

Um grande abraço, Pinguim. Eu compreendo... há dias cansados!

Tambem não "vou à bola" com o renegado mas esta frase está bem "situada". O jean-paul é sempre um assombro!

Tu também, amigo. Abraço

Ophiuchus disse...

(E...) é um assombro! Porque o senhor da ausência de sinalética não o é! pequena_errata

Socrates daSilva disse...

Excelentes citações...
Um abraço