24 agosto 2008

An_Theme (One World)

Acabaram os jogos olímpicos. Grande parte da humanidade acabou por ir espreitar mais vezes e com outro interesse patriótico as provas que lhe interessavam ou, no acaso, ver as disputas físicas, e homens e mulheres de diferentes locais do globo a testarem os seus limites. Cerimónias grandiosas, encenadas num espectáculo impressionante (para os senhores do comité esquecerem o desrespeito da dignidade de quem ergueu aquele ninho-de-andorinha, ou abafarem os media na divulgação da pobreza extrema que deflagra nos vastos arredores de pequim) ilustram um mundo circular e unido no final destas prestações que esticam ao máximo a nossa noção de corpo, apoiada nalgumas “deformações” dos atletas. A entrega de medalhas final foi pela prova de maratona masculina onde o continente africano surge sempre representado: cobre para a etiópia, prata para marrocos e ouro para o quénia. Hinos emocionados, bandeiras na ordem: as argolas continentais que representam estas provas, o sangue chinês estrelado que acolheu o evento neste 888, as riscas azuis e brancas do berço deste ideal (renascido após dois milénios) e as cruzes sobrepostas nestas mesmas cores da velha ilha que irá acolher novas provas daqui a quatro anos.
A luta na hegemonia oriente-ocidente para um regime globalitário, o negro sul adormecido... aguardamos calmamente as convulsões sociais nesta era aquariana.


Para pensarmos (é a economia, estúpido!):
“ A globalização está a viver uma fase muito crítica. O contra_golpe torna-se cada vez mais sensível. Pode-se temer que haja um impacto bastante nefasto na actividade económica e na estabilidade política de numerosos países.” Klaus Schwab (fundador do forum mundial de davos)
“É necessário criar a confiança entre os assalariados e organizar a cooperação entre as empresas a fim de que as colectividades locais, as cidades e as regiões se beneficiem da globalização. Caso contrário, iremos assistir ao ressurgimento de movimentos sociais como ainda não vimos desde a segunda grande guerra.” Rosabeth Moss Kanter (antiga directora do Harvard Business Review)
“Se as empresas não enfrentarem os desafios da pobreza e do desemprego, as tensões irão crescer entre os possuidores e os desprovidos, e haverá um aumento considerável de terrorismo e violência.” Percy Barnevik (proprietário da ABB, uma das principais companhias energéticas mundiais)
Estas constatações pessimistas são recolhidas para o autor do livro continuar:
“Assim, a realidade do novo poder mundial escapa amplamente aos estados. A globalização e a desregulamentação da economia favorecem a emergência de novos poderes que, com a ajuda das tecnologias modernas, transbordam e transgridem, incessantemente, as estruturas estatais.
Quando o modelo económico é o dos paraísos fiscais e quando «os mercados» acabam por sancionar (em nome da luta contra a inflação) a criação de empregos e o crescimento, não haverá uma irracional perversão no reino das finanças?
[...]
Resta pouco tempo; com efeito, a partir de múltiplos sinais, vemos voltar, nas nossas sociedades desorientadas, uma perturbadora interrogação: a democracia estará sendo confiscada por um grupinho de priveligiados que a utilizam para seu benefício quase exclusivo?”

In Geopolítica do Caos, Ignacio Ramonet (1997), aqui pela editora brasileira Vozes, Petrópolis, 2001

4 comentários:

pinguim disse...

No começo do post fazes uma (boa) análise do contexto destes J.O. e referes os próximos, em Londres, em 2012; conforme já hoje comentei num outro blog, a ver se lá chegamos...
Após reler as 3 citações que puseste neste texto, reforço essa dúvida.
Abraço.

Socrates daSilva disse...

Meu amigo, lembro-me do Titanic como metáfora: a afundar e a orquestra a tocar...
(Assim vai o nosso mundo. Estamos a ir ao fundo com umas grandes festas!)

Abraço!

Paulo disse...

já estamos na era aquariana? de resto: o poder, sempre o poder: os grupos, os privilegiados... e o povo, essa carne para canhão, que se lixe.

Ophiuchus disse...

Chegar, chegamos (temos atletas que trabalham para tal pela importância dos jogos em si), as condições envolventes poderão ser outras (imagino o controle anti-terrorismo dos ingleses...) E vivos estaremos! Abraço Pinguim!

Uma boa imagem a soar... mas não é o fim dos tempos: são as mudanças (vilentas, talvez) que teremos de atravessar, Sócrates! O barco já começou a afundar mas ainda não se partiu...

Sim, os acontecimentos drásticos que se avizinham são característicos do Urano dominante! (até pareço o paulo cardoso LOL) Mas estamos cá todos, Paulo - Todos seremos afectados!