20 agosto 2008

En_Saio

"Conhece-os tu próprio, não presumas perguntar a Deus,

O verdadeiro estudo da humanidade é o homem.

Colocado neste istmo de estado médio,

Um ser obscuramente sábio, e grosseiramente grandioso:

Com demasiado conhecimento para o lado céptico,

Com demasiadas fraquezas para o orgulho do estóico,

Ele pende entre a dúvida de agir, ou descansar;

A dúvida de se considerar um deus, ou um monstro;

A dúvida se deve preferir a sua mente ou o seu corpo;

Nascido apenas para morrer, e raciocinando apenas para errar;

A sua razão, semelhante à ignorância,

Quer pense muito pouco ou demasiado."



Alexander Pope in Ensaio sobre o Homem



"Por vezes sinto que estamos destinados a nunca nos compreendermos a nós próprios, porque parte da nossa natureza consiste em transformar cada pergunta numa expressão da nossa própria natureza: ambiciosa, ilógica, manipuladora e religiosa. «Nunca uma tentativa literária foi mais desastrosa do que o meu tratado sobre a natureza humana. Caiu morta à nascença no prelo», disse David Hume.
Mas depois lembro-me de quanto progredimos desde Hume e de quão mais perto estamos do objectivo de uma compreensão completa da natureza humana do que alguma vez já estivémos. Nunca atingiremos esse objectivo completamente, e talvez seja preferível que nunca o atinjamos.Mas enquanto pudermos continuar a perguntar «porquê?» temos um objectivo nobre."

Matt Ridley A Rainha de Copas - O sexo e a evolução da natureza humana. Original em 1993, pela gradiva em 2004.

7 comentários:

pinguim disse...

O trecho de Alexander Pope é notável e fica-se "agarrado" a cada uma das frases.
Abraço.

Socrates daSilva disse...

Que textos, que textos...
(Sabes que os ando a mastigar lentamente?)

"enquanto pudermos continuar a perguntar «porquê?» temos um objectivo nobre."
(E eu que durante tanto tempo fugi destes porquês...)

Abraço!

Special K disse...

Porquê? Talvez tenha sido essa a pergunta que fez o homem chegar onde chegou hoje.
Um abraço

Ophiuchus disse...

Os porquês de assim sermos, do querer saber mais e mais, estão no mais profundo de nós (e é na superação dos recordes de "mergulho interior" que pouco a pouco vamos lá chegando, sem nunca vislumbrar o fundo). A natureza do conhecimento é humana porque de aí vem! Abraço Pinguim!

Enfrenta, em frente, Sócrates: a verdade é o princípio que construímos com estas questões, às quais só nós próprios podemos responder. E voltar a re_formular! Abraço forte.

Para além do questionar, o que importa é o que se faz com esse conhecimento, K. Sim, e não vamos parar... Dois (o de agora e o de depois)Abraços

sp disse...

temos um objectivo nobre?

pois!

o pior é que nos esquecemos tantas vezes desse objectivo, nobre.

abraço.

Paulo disse...

estou num desses momentos em que não me compreendo a mim próprio. pior: não compreendo o mundo que me rodeia. mas que se há-de fazer? progredimos, pois, progredimos, mas nunca lá chegaremos. somos o graal de nós próprios.

Ophiuchus disse...

Não é nobre, todas as nossas intenções são tão plebeias, SP ;)
Um Forte Abraço

Assim uma espécie que persegue a sua própria cauda, Paulo. É melhor abanar o rabo e sermos felizes... uns com os outros! (como diz o próprio texto: "ilógicos", "ambiciosos"...)
Abraços Muitos